Sempre sonhei em ser jogador de futebol como toda criança pobre. Tudo bem, não sou lá tão pobre, mas também não tenho tanta grana quanto os jogadores de futebol. E foi numa dessas voltas doidas da vida, que aconteceu.
Cansado, mais um dia de trabalho havia se passado, e ao término da faixa de pedestre um vendedor de amendoim estendeu a mão pra mim:
- E aí cara?
- Fala - Devolvendo o aperto de mão.
- Tem um real aí pra salvar seu amigo?
- Nada meu velho, só estou com o vale do buzu.
- Porra, você não tem um real?
- Não.
- Seguinte, eu ia te "brocar todo", mas resolvi conversar com você tá ligado?
Nesse momento percebi que ele era do meu "top", tão magro quanto, porém um pouco mais baixo, imaginei como ele iria me "brocar todo", visto que meu scaner visual não detectou qualquer tipo de metal no seu corpo, e que nessas situações eu costumo reagir.
- Tou ligado, mas eu não tenho mesmo. - respondi esperando um soco ou algo assim. O safado olhava o tempo todo ao redor, como se com medo de algo.
- Vai se foder! Isso aqui é um assalto porra, passa a mochila!
Mandei ele ir procurar a turma dele, e ele foi. Em menos de um minuto se formou o tal time de futebol. Mesmo sendo magrelo, imaginei que eu era a bola, pois todos corriam em minha direção, com cara de quem queria chutar. Seguindo a filosofia do nosso grande jogador Ronaldo Fenômeno, que parte do pressuposto de que "quem corre é a bola", pus-me a correr feito louco.
Já estava quase desistindo quando avistei o GOL(Grande Ônibus Lotado), entao era só passar entre as traves que o juiz iria parar o jogo, e eu poderia explicar que eu não sou bola coisa nenhuma. O problema é que não havia nenhuma juiz, no máximo um guarda de trânsito, sei lá. E mesmo com o placar apontando 1 X 0 os jogadores continuaram perseguindo o ônibus, sem sucesso, o que considerei como vitória da bola, se é que isso existe.
Ainda bem que não moro no Rio, lá o futebol de rua é jogado por homens das cavernas que põem fogo em tudo que é GOL que lhes aparece, independentemente do valor do placar.
Neo
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